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Dermatite Atópica no outono/inverno: estações mais secas do ano removem hidratação natural da pele e agravam a doença

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    Portal Entre Elas
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Médico dermatologista fala sobre tratamentos e sintomas que pioram com a combinação da baixa umidade do ar e o clima frio desta época do ano

 

 


Com a chegada das estações mais secas e frias do ano, a saúde da pele exige atenção redobrada, especialmente para quem convive com a dermatite atópica. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) (2021) indicam que a doença afeta entre 15% e 25% das crianças e cerca de 7% dos adultos no Brasil. Ainda segundo a pesquisa da SBD, três em cada dez brasileiros acreditam erroneamente que a condição é contagiosa, destacando o preconceito e a desinformação que cercam o tema.


De acordo com o Dr. Gustavo Novaes, médico dermatologista formado e pós-graduado pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), apesar de a doença não ser contagiosa, o aparecimento de lesões na pele necessita de atendimento médico:


“A dermatite atópica é uma doença inflamatória complexa, que exige diagnóstico correto e tratamento individualizado. A automedicação pode trazer riscos importantes, como a piora da barreira cutânea com produtos irritantes, o mascaramento de infecções associadas e a falta de controle adequado da inflamação. Além disso, existem hoje tratamentos modernos e eficazes — incluindo imunomoduladores tópicos e terapias sistêmicas — que precisam de avaliação médica. O dermatologista é essencial para confirmar o diagnóstico, identificar gatilhos individuais, definir um plano de tratamento seguro e eficaz e orientar cuidados diários que previnem crises”, explica o Dr. Gustavo Novaes.


O que é a dermatite atópica?


A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, de base imunológica e alérgica, que causa a perda da barreira de proteção natural do tecido cutâneo. Ela é multifatorial, ou seja, resulta da combinação de predisposição genética com fatores ambientais.


Os principais gatilhos incluem:

●       Pele seca (xerose) – principal fator desencadeante;

●       irritantes: sabonetes agressivos, fragrâncias, produtos de limpeza;

●       alérgenos: ácaros, poeira, pelos de animais;

●       calor e suor excessivo;

●       estresse emocional;

●       infecções cutâneas, especialmente bacterianas.

Esses fatores ativam o sistema imunológico da pele, levando à inflamação, vermelhidão e coceira intensa.


Por que piora no outono/inverno?


O agravamento dos sintomas nesta época do ano está relacionado à combinação da baixa umidade do ar e o clima frio, que removem a hidratação natural da pele. Fatores como o vento frio, o uso de aquecimento artificial e o hábito de tomar banhos mais quentes e longos danificam severamente a barreira cutânea, tornando-a vulnerável a irritantes e alérgenos. Além disso, o uso de roupas mais pesadas - lã, tecidos sintéticos - pode irritar a pele.


Principais sintomas


Os sinais da dermatite atópica costumam evoluir em surtos, com períodos de melhora seguidos por crises. Os principais sintomas incluem:


●       Coceira intensa (prurido): o sintoma mais característico, que pode atrapalhar o sono em casos graves.

●       Lesões cutâneas (eczema): manchas avermelhadas, descamação e ressecamento extremo. Em bebês, surgem comumente no rosto e dobras. Já em adolescentes e adultos, as lesões se concentram nas dobras do corpo. Casos graves podem apresentar fissuras dolorosas, rachaduras que sangram, inchaço e infecções frequentes devido à coceira constante.


Por que não tem cura?


A dermatite atópica é uma condição crônica porque envolve alterações estruturais e imunológicas da pele que são determinadas, em grande parte, por fatores genéticos. Entre essas alterações estão: defeito na barreira cutânea (ex.: menor produção de proteínas como filagrina), hiper-reatividade do sistema imunológico e tendência à inflamação recorrente.

Ou seja, “não se trata apenas de uma ‘irritação passageira’, mas de uma característica do organismo. A boa notícia é que, embora não tenha cura definitiva, a doença pode ser muito bem controlada com tratamento adequado, permitindo períodos longos sem sintomas”, ressalta o Dr. Gustavo Novaes.


Tratamentos


O tratamento visa o controle dos sintomas e a recuperação da qualidade de vida do paciente. As abordagens incluem:


●       Hidratação profunda: uso de cremes específicos para recuperar a barreira da pele.

●       Medicamentos: antialérgicos para controlar a coceira e corticoides tópicos ou imunomoduladores para as lesões.

●       Terapias avançadas: medicamentos biológicos para casos graves e acompanhamento psicoterápico, já que fatores emocionais e estresse podem agravar o quadro.


O que FAZER para aliviar os sintomas


●       Banhos mornos e rápidos: a água deve estar em temperatura amena para não remover a oleosidade natural e a recomendação é usar sabonetes suaves, que limpam sem agredir a pele.

●       Hidratação imediata: aplicar hidratantes logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, para potencializar a retenção de água. Uso de ceramidas, glicerina, óleos e bálsamos emolientes pode ajudar.

●       Roupas adequadas: optar por tecidos macios como algodão ou seda, que permitem a respiração da pele.

●       Controle do estresse: praticar atividades de relaxamento e exercícios físicos.


O que NÃO FAZER


●       Banhos quentes: evitar água em altas temperaturas e o uso excessivo de sabonetes agressivos.

●       Esfregar a pele: não utilizar esponjas ou toalhas de forma bruta durante ou após o banho.

●       Tecidos irritantes: evitar o contato direto com lã ou materiais sintéticos, que podem desencadear crises.

●       Automedicação: nunca utilizar pomadas ou cremes sem orientação médica, especialmente em lesões ativas.

Ao notar qualquer sinal de irritação persistente, o recomendado é buscar ajuda especializada para um diagnóstico preciso e início do tratamento adequado. Por Dr Gustavo Novaes | Dermatologista @drgustavonovaes

 
 
 

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