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UM PONTO A MAIS

Por Maira Trentin



É um tanto comum ouvir frases do tipo “um cientista encontrou...” ou “acabaram de encontrar a resposta para…”; e essas frases acabam criando um pano de fundo para o que imaginamos sobre ciência. Aquele ambiente hermético, com pessoas isoladas umas das outras, com suas roupas de proteção e com sigilo absoluto sobre o que estão “produzindo”.

Sinto dizer, mas esse não é o cenário padrão quando falamos sobre ciência. Claro, existem momentos, em algumas áreas específicas, em que o cenário que descrevi acima se faz necessário. Mas são raras vezes, e não são todos os fazeres científicos que necessitam desse processo. O ponto chave de hoje para nossa conversa é que tudo o que entendemos como conhecimento científico, é uma grande rede que tem sido construída há centenas (milhares!?) de anos, em conjunto!

Antes de fazer qualquer coisa, um cientista faz um processo que se chama revisão bibliográfica. Que é nada mais nada menos que consultar tudo o que já foi produzido sobre o assunto que ele está se dispondo a estudar e perceber o que ele pode fazer para contribuir com a área, ao mesmo tempo que busca elementos que possam ajudá-lo a compreender as questões que se apresentam para ele hoje no que vai estudar. Nesse processo, ele consegue ter um panorama de até onde outros pesquisadores foram com o assunto, quais pontos ficaram em aberto, que outros olhares e contribuições ele poderá trazer ao se engajar nesse assunto, que conexões com outros pesquisadores e conceitos ele pode fazer e etc.

No mundo da ciência, se eu acordar um dia pela manhã e resolver falar sobre os muros de pedra que já foram construídos, antes de tudo vou precisar saber tudo o que já foi produzido sobre esse assunto para 1 - não me dedicar a fazer exatamente o mesmo que já fizeram ou estão fazendo e 2 - não desconsiderar informações importantes que outras pessoas já tenham estruturado. Até porque se tivéssemos que partir sempre do ponto zero, o conhecimento não teria continuidade. Seria como em uma corrida cada vez que o bastão fosse passado adiante o corredor partisse do início.

Por aqui então, é assim que se faz: reconhece-se o que o outro já fez, encontra-se a melhor forma de se colocar no assunto e ampliar a área daqui para a frente, e assim se acrescenta mais um ponto na grande malha que o ser humano tem tentado, às vezes com sucesso e às vezes com fracasso, formar para mapear a realidade com o conhecimento científico.

Um abraço do Mundo da Ciência e nos vemos - lemos - semana que vem!



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